MEMBRANAS MUTÁVEIS - Exposição Individual de Jarek Mankiewicz :: Outros
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Castra Leuca - Arte Contemporânea
Local: Castelo Branco - Castelo Branco
DATA: de SAB 20-09-2025 a SAB 01-11-2025
O trabalho de Jarek Mankiewicz nasce de uma fascinação pela geometria oculta do mundo ao nosso redor. Com formação em artes gráficas, o artista transforma fragmentos do espaço urbano, da tipografia e da arquitetura em composições sobrepostas que convidam o espectador a reconsiderar os detalhes da vida cotidiana. O que pode começar como um único caractere tipográfico, um pequeno detalhe arquitetônico sob uma janela ou o padrão de um azulejo português tradicional, evolui para uma estrutura de transparências, na qual cada forma ressoa com as outras, criando conexões novas e inesperadas.
Percorrendo caminhos urbanos e paisagens polonesas e portuguesas, Mankiewicz recolhe formas de letras e outras figuras que carregam ressonâncias culturais em ambos os países. São fragmentos de duas culturas distintas que se entrelaçam em suas composições. No cerne de sua prática está o princípio de que “elementos simples formam um todo complexo”. Por meio de camadas acrílicas semitransparentes, ele equilibra precisão e imperfeição através de pinceladas.
As formas se sobrepõem, se dissolvem e reaparecem, evocando a lógica estratificada do Minimalismo e da Op Art — movimentos que encontraram terreno fértil na cena artística portuguesa renovada após décadas de repressão sob o Estado Novo (regime autoritário em Portugal, 1933–1974). A abordagem pictórica do artista — ainda que enraizada na sensibilidade da gravura — torna-se arte poderosa quando a repetição não é reprodução mecânica e a modularidade não é previsível. Esse processo também ecoa outras ressonâncias históricas: o Construtivismo Polonês, com o papel pioneiro de Henryk Stażewski, que fundiu design gráfico e abstração geométrica com transformação social, rejeitando a mera ornamentação.
Nesta exposição individual na Castra Leuca Arte Contemporânea, a abordagem modular torna-se visível. Algumas obras permanecem autônomas; outras se entrelaçam em estruturas maiores onde as bordas se alinham — e ocasionalmente se rompem — mas, quando reunidas, fundem-se em constelações mais amplas, ecos da lógica visual barroca portuguesa. Aqui, o equilíbrio não é abstrato, mas físico: superfícies translúcidas interagem como membranas mutáveis, cores flutuam sobre as telas e formas texturizadas exigem constante reorganização espacial. Um jogo de esconder e revelar, no qual o artista decide quais espaços podemos atravessar.
Em diálogo com a crença de Paul Klee de que “a arte não reproduz o visível; antes, torna visível”, as obras de Mankiewicz mostram como fragmentos urbanos e ícones gráficos podem se tornar sistemas visuais tangíveis. O artista une lugar e abstração geométrica numa proposta de reunir fragmentos em direção a um planeta liberto dos vícios visuais.
Sandra Birman – Texto Crítico